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Escolha sua música de fundo...



uma singela homenagem
à grande poetisa portuguesa
(por Márcia Arruda Pinheiro)





Iniciada em tenra idade no salutar hábito da leitura por minha mãe (fui alfabetizada aos 3 anos e 6 meses de idade), sempre tive gosto por poesias.  Assim, buscando novos ou pouco conhecidos poetas, no final da década de 1970 fui "apresentada" a FLORBELA ESPANCA, através de alguns poucos sonetos.  Sim, eram somente alguns sonetos, mas o suficiente para deixar em mim a sensação de algo e alguém belos, que transcendiam as fronteiras da poesia comum e de um simples poeta, como estamos acostumados a encontrar no dia-a-dia.  Passei, então, a querer mais e mais, pois sentia que havia encontrado, pelo menos para mim, a poetisa definitiva, que conseguiu imprimir em cada palavra, verso e estrofe sentimentos que variam de uma explosão de cores fortes e vibrantes ao breu total, não sem passar por diáfanos tons pastéis.  Contudo, por mais que procurasse, não lograva encontrar um livro seu, tendo que me contentar com as "esmolas"  em forma de poemas que recebia de amigos.  Em 1983, quando fui a Portugal, ganhei de presente de minha prima Maria Isabel o livro "Sonetos", que contém todos aqueles publicados em "Livro de Mágoas", "Livro de Soror Saudade", "Charneca em Flor" e "Reliquiæ".  Talvez seja desnecessário dizer que, desde então, não mais consegui dele me separar, lendo-o e relendo-o sempre que posso e nele encontrando cada vez mais profundamente gravada a alma de FLORBELA ESPANCA, através da beleza, de seus sonhos, da esperança, do amor, da dor e da insatisfação com a vida que, de forma tão bonita, deixou como herança para as gerações posteriores à sua.
Mulher, jovem, início do século, Portugal.  Talvez essas quatro expressões sejam suficientes para descrever a grande poetisa, que tão cedo (aos 36 anos de idade) abandonou a vida (de 7 para 8 de dezembro de 1930).  Talvez consigam até mesmo justificar os motivos que a levaram a fazer o que fez.   Só não se justifica o pequeno valor que se dá a tão importante poetisa, grande representante de Portugal no mundo literário, que tento, agora, de forma simples e sem maiores aspirações, trazer a público, para que receba seu justo e merecido reconhecimento.

Não pretendo, nesta página, criar obras de arte, porquanto entendo que elas já foram criadas, na forma literária, por FLORBELA ESPANCA. Assim, não me valho de efeitos visuais, tridimensionais nem de impacto para trazer ao mundo um pouco da vasta e grandiosa obra da poetisa portuguesa.

Se cada página tem flores como fundo, tive a inspiração no próprio nome da poetisa - FLORBELA, BELA FLOR, sempre viva, que nunca deixará de existir no inesgotável jardim do sentimento, da poesia, da leitura, enfim, da BELA FLOR BELA.

Quero, sim, render uma sincera e humilde homenagem à literatura portuguesa, irmanada que é com a brasileira, havendo escolhido FLORBELA ESPANCA para representá-la, eis ser esta escritora, na minha concepção de literatura, marco inolvidável da mais profunda expressão de beleza, sentimentos, sensações, dores, desespero, enfim, de tudo que possa se passar no íntimo de cada um de nós. É ela capaz de fazer com que cada leitor tenha as mais indizíveis experiências com a simples leitura de suas criações literárias. Remete-nos, FLORBELA ESPANCA, da beleza à fealdade, da alegria à mais profunda tristeza, do gozo à dor, em assomos de sanidade e loucura, muitas vezes tão próximos um do outro que é impossível diferenciá-los sem uma introspecção de nós mesmos.

E assim o fazendo, aprendi a amá-la e respeitá-la, não só como expoente literário, mas - e acima de tudo - como ser humano, passível de acertos, erros, enganos, desenganos e atitudes extremas, como aquela que lhe tirou a vida, porque FLORBELA ESPANCA não era de sua época, de seu pequeno mundo, deste mundo. Vivia, como todos os grandes artistas, além da realidade do dia-a-dia, ultrapassando todas as fronteiras do corpo e da alma e mergulhando a fundo no universo da existência humana, onde não há limites definidos para a realidade (dura e sombria) e o sonho (que permite alcançarmos a perfeição e o extravasamento de nossos anseios mais ocultos).
Porém, como não sou especialista em literatura, somente lendo por diletantismo, trago a lume as análises de José Régio e Maria Lúcia Dal Farra, passando a transcrevê-las:
"A obra de Florbela é a expressão poética de um caso humano.  Decerto para infelicidade da sua vida terrena, mas glória de seu nome e glória da poesia portuguesa, Florbela viveu a fundo esses estados quer de depressão, quer de exaltação, quer de concentração em si mesma, quer de dispersão em tudo, que na sua poesia atinge tão vibrante expressão.  Mulheres com talento vocabular e métrico para talharem um soneto como quem talha um vestido; ou bordarem imagens como quem borda missanga; ou (o que é ainda menos agradável) se dilatarem em ondas de verbalismo como quem se espreguiça por nada ter o que fazer, que dizer - naturalmente as houve, e há, antes e depois da vida de Florbela. (...)  Também, decerto, apareceram na nossa poesia autênticas poetisas, antes e depois de Florbela.  Nenhuma, porém, até hoje, viveu tão a sério um caso tão excepcional e, ao mesmo tempo, tão significativamente humano.  Jorge de Sena dirá: tão expressivamente feminino."
José Régio
(in "Sonetos" de Florbela Espanca, Livraria Bertrand, Portugal, 19ª. ed. completa, 1981)


"Bíblia de iniciação amorosa, dicionário das vicissitudes da mulher, livro-de-horas da dor - assim é a poesia de Florbela Espanca. Dela emana um feitio insurrecto que tem escandalizado e encantado, desde 1930, seus leitores, quando, apenas depois de morta, a poetisa se torna (afinal) conhecida. (...)
A interlocução com o universo masculino e o exercício permanente do amor imprimem a tal obra uma continuada verrumagem acerca da condição feminina, que vasculha os ritos sociais, os jogos de sedução, os interditos, os privilégios - a maldição. Nessa rota, assenhorando-se do estatuto tradicional da mulher para pô-lo em causa, Florbela acaba retirando dele um corolário que o torna ativo, visto que redimensionado em bem literário.
E eis que o infortúnio, tomado na acepção de prerrogativa feminina, se converte, por seu turno, numa estética em que a dor é a matéria-prima, capaz de criar, apurar e transfigurar o mundo - única e verdadeira senda de conhecimento reservada à mulher.
(...) Florbela consegue, através dos seus poemas, o prodígio de transmutar a histórica
inatividade social da mulher em... genuína força produtiva! E esse (a bem dizer) é apenas um dos seus muitos dons."
Maria Lúcia Dal Farra
(in "Poemas de Florbela Espanca", Livraria Martins Fontes Editora Ltda., São Paulo, Brasil, 1ª. ed, 2ª. tiragem, outubro/97)
 


Índice de poemas/sonetos:
(clique no escolhido para lê-lo enquanto ouve uma MIDI de F. F. Chopin, R. Schumann dentre outros)
 
LIVRO DAS MÁGOAS (1919)
LIVRO DE SOROR SAUDADE (1923)
CHARNECA EM FLOR (1930)
RELIQUIÆ
 Alma perdida
 Fanatismo
 A nossa casa
 Amor que morre
Amiga *
 Frieza
 Crucificada
 À morte
  A minha tragédia *
 Tarde de mais...
 Mocidade
 Os meus versos
 Angústia
 Fumo
 Não ser
 Voz que se cala
 Desejos vãos
 Que importa?...
 Ser poeta
 Eu não sou de ninguém...
Lágrimas ocultas
 Caravelas
Versos de orgulho * 
 O maior bem
Pequenina
 Inconstância
"He hum não querer mais que bem querer" *
I  II  III  IV  V VI  VII  VIII  IX  X
 Esquecimento
Vaidade
Anoitecer
 Conto de fadas
 Loucura
Amar!
 O meu mal
 Mendiga
 Sobre a neve
Realidade
 Ruínas
 Charneca em flor
 Em vão
Espera...
 Cinzento
 Tarde no mar
 
 Eu
 Saudades
 Se tu viesses ver-me
 
 As minhas ilusões
 A vida
 
 
 Neurastenia
 Horas rubras
 
 
 Noite de saudade
 Nocturno
 
 
 Ao vento
 
 
 



Espero que tenha gostado e que esta página lhe tenha proporcionado momentos de prazer.
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Uma página também bastante interessante de ser visitada é a do MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA DOS DEFENSORES PÚBLICOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (MRDP-RJ). Embora não seja de minha autoria, dela muito me orgulho. Lá você saberá o que é DEFENSORIA PÚBLICA e tomará conhecimento de nossas tristes condições de trabalho. Contudo, uma vez DEFENSOR PÚBLICO, sempre DEFENSOR PÚBLICO, mesmo que aos "poderosos" isso não interesse.



               





Página idealizada e criada por MÁRCIA ARRUDA PINHEIRO, com o auxílio de Célia Rodrigues de Castro e de Ana Henrique de Lima (agradeço a ambas pelo incentivo). Agradeço, também, a meus pais, José Alves Pinheiro e Lucia Arruda Pinheiro, já falecidos, por terem-me dado a vida e ensinado-me a vê-la com amor, e a minhas tias-avós Graciema (já em outro plano - como dói a saudade!), Margarida e Carolina (também já se foi para o outro plano) Ribeiro da Fonseca, que me criaram na falta de meus pais e me possibilitaram ser o que hoje sou.

Lançada na Internet em 18/08/98.
Outras atualizações ao longo do tempo.
Uma vez terminada a revisão da página em 31/10/2003 (aprimorada em 18/03/2004 e alterada em 17/01/2005), parto para a tarefa de atualizá-la e ampliá-la. Como isso demandará tempo, peço que tenha paciência e volte sempre.



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NOTA DA AUTORA: Esta página foi idealizada e criada, única e exclusivamente, com o intuito de levar ao conhecimento dos internautas e de quem mais eventualmente navegue pela Internet a obra de Florbela Espanca, essa grande poetisa portuguesa, que merece ter seu inestimável valor reconhecido, sendo necessário, para tanto, que sua obra seja divulgada.
Os sonetos marcados com * foram transcritos do livro "Sonetos" de Florbela Espanca (Livraria Bertrand, Portugal, 19ª. edição completa e com um estudo crítico de José Régio, 1981). Já os assinalados com ** o foram de "Poemas de Florbela Espanca" (Livraria Martins Fontes Editora Ltda., São Paulo, Brasil, 1ª. ed., 2ª. tiragem, 1997).
Se houver algum problema relacionado a direitos autorais, peço que me seja explicado por e-mail que, imediatamente, tomarei as providências necessárias, que poderão implicar, inclusive, na imediata retirada da página da Grande Rede. O mesmo se aplica aos arquivos MIDI, que poderão ser suprimidos caso alguém venha a reclamar e provar seus direitos.

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